quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

COMO DESCULPAR-SE COM UM AMIGO POR NÃO CONVIDÁ-LO PARA SEU CASAMENTO !!!!!!!!!!!!

Estávamos em reunião com nosso casal de Noivos fofos Gabi e Ivan semana retrasada via Skype e eles falaram de uma crônica do Antonio Prata sobre lista de convidados de casamento, fiquei super curioso e eles nos enviaram a crônica e agora quero dividir este momento com vcs pois achei o máximo.....

Convite de Casamento - por Antonio Prata

Publicado na Revista Wish

O que eu posso te dizer, Joana? Desculpa? Foi mal? Insistir que você é uma amiga querida? Que eu te adoro? Mas de que adianta, agora que o casamento já passou e você não foi convidada?

Joana, você não sabe a confusão que é organizar um casamento. Se eu fizesse tudo de novo, além de uma wedding planner, teria contratado um diplomata, um egresso do Itamarati, formado em acordos e desacordos comerciais em Davos, Doha e Washington, só para administrar as complexas relações envolvidas na produção da festa. Nas mãos do meu private Barão do Rio Branco, jogaria a mais espinhosa das tarefas: a elaboração da lista. Ah, Joana, o coração é grande, mas a grana é curta, as famílias são numerosas e como vamos espremer todo mundo debaixo do mesmo toldo, com o preço do metro quadrado?!

Eu tinha cá pra mim que o casamento era uma celebração para a qual você chamava as pessoas mais queridas que havia trombado durante a vida. Mais ou menos como um final de novela, em que todos os núcleos se encontram e brindam, numa grande festa. Antes de chegar nas escolhas afetivas, contudo, tem a lista obrigatória. As famílias, dos dois lados: tios, tias, primos, primas. Sem contar os maridos, esposas, namorados e namoradas, de todo mundo. (E hoje em dia, você não acredita, Joana, até primo de onze anos tem namorada). Só aí, minha cara, já foram quase 60% dos bem-casados. Depois, vem o pessoal do trabalho. E o pessoal do trabalho antigo. Quando você vai ver, sobraram 20 convites para os amigos e uns 30 abacaxis no seu colo. Quem é mais importante? O Pedro, que foi meu melhor amigo da primeira à oitava série, mas que hoje vejo muito pouco? Ou o Marcos, que conheço há apenas seis meses, mas em cuja casa jantei na penúltima quinta? E como fazer para chamar só três do futebol, que eu jogo toda a quarta-feira? Se convidar um, tem que convidar os 11, que são 22, com as esposas, e 29, com os filhos. Não dá pra convidar algumas pessoas e pedir sigilo absoluto: dizer, “ó, queridão, vou casar escondido em janeiro, ninguém tá sabendo, por favor, não espalhe. Seria ridículo e, pior, inútil.

Joana, veja a que ponto cheguei: um mês antes da festa, ao saber que o relacionamento de um casal de amigos não ia muito bem, peguei-me torcendo para o divórcio. Assim, não precisaria convidar o marido, de quem nunca havia sido muito próximo, e teria mais uma cadeira vaga, para ser preenchida por alguém que eu escolhesse. (Alguém solteiro, evidentemente, posto que apenas um lugar teria sido liberado).

Se isso serve de consolo, te digo que seu nome sobreviveu, incólume, a três carnificinas. E foi só no último corte da lista – quando um tio-avô de Pelotas resolveu convidar-se, trazendo com ele a tia avó, seis filhos e uma primaiada sem fim – que você saiu. Pois, Joana, por mais querida que você seja, há de entender: é uma amiga avulsa. Nós nos conhecemos naquele acampamento Carroção, em 1987. Era melhor tirar você do que partir uma turma ao meio, do que separar maridos e esposas, pais e filhos, laterais de centroavantes, compreende? Não, talvez você não compreenda. Que que eu posso fazer?

Ah, Joana, se eu casasse de novo, desistia de chamar a turma do futebol, nunca mais aparecia para jogar e chamava você. Pronto. Mas agora é tarde, Inês é morta, ou melhor, ficou de fora da festa. Espero que, como reparação, você aceite esta crônica e o convite antecipado para as bodas de prata, a realizarem-se em junho de 2035, em local ainda a definir. Pode levar seu marido, seus futuros filhos e netos, caso os tenha, e mais meia dúzia de amigos à sua escolha. Desculpa, Joana. Foi mal. Você é uma amiga querida e eu te adoro. Que mais posso te dizer?

Antonio Prata é escritor. Nasceu em São Paulo em 1977. Publicou alguns livros de contos e crônicas, entre eles "Meio Intelectual, Meio de Esquerda" (Ed. 34), e escreve no caderno Cotidiano da Folha às quartas-feiras.

O que acharam??? AMEI este texto e acho que todos nós nos identificamos com ele... pq um dos momentos mais difícil é fazer a lista de casamentos. Eu continuo batendo o pé... Só devemos convidar para nosso casamento pessoa que convidaríamos para nossa casa, pois ficar pessoas nada haver nos registros NÃO É BACANA.

NOIVAS DE PLANTÃO !!!!!!!!!!!! fiquem ligadas, reservem o dia 14/02 pois acontecerá um evento super bacana para vcs, reunindo alguns dos melhores profissionais do mercado de Casamento... Será um evento fechado para as sortudas que forem sorteadas, semana que vem eu dou mais dicas... mas vcs não podem perder.

Uma ótima semana e um grande beijo a todos.







“O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades”.

Mário Lago

2 comentários:

  1. Amei!!! Antonio Prata é genial. Adoro as crônicas dele.

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  2. Amei o blog de vocês! Babei na crônica!Parabéns!

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