Minha história começou após uma discussão, seguida de um pedido de casamento. Foi muito engraçado, pois, no primeiro momento, eu não aceitei e ao mesmo tempo estava louca para dizer “Sim, aceito”! Quando resolvi dizer sim, ouvi a primeira condição: “Não pode ser neste ano, somente no ano que vem em Abril ou Maio, pois quero a lua-de-mel na Suíça”. Logo pensei, “É claro! Nenhuma noiva organiza uma festa da noite para o dia”. Também fiz minha exigência, dizendo que só começaria a ver algo sobre casamento após um pedido formal à minha família. Como toda noiva é neurótica, na mesma noite comecei a xeretar na internet e encontrei o lugar perfeito para o meu casamento. No dia seguinte, entrei em contato com o espaço e me convidaram para conhecer o local decorado no mesmo final de semana – e olha que eu só conseguiria um preço especial se fechasse a locação naquele final de semana. Na hora, passei os detalhes para o meu noivo, e ele também gostou. “Como a gente contrataria um Buffet sem antes ter me pedido em casamento para os meus pais???” Como todo bom árabe, era naquele dia que ele precisava contratar o local, para aproveitar a promoção. O pedido teve que ser feito pelo telefone mesmo... Rsrsrsrs.
Quando conhecemos o espaço pessoalmente, foi amor à primeira vista! Reservamos a data e então começou a compra frenética de revistas de noivas e de tudo mais que estava ligado ao mundo das noivas.

Embora com um ano e três meses para o dia do SIM, foi um casamento sem planejamentos. Eu ficava desesperada toda vez em que eu começava a fazer conta de quanto seria o valor da festa. Era meu grande dia e eu queria um casamento de princesa e meu noivo, de família árabe, queria muita fartura e exigia música ao vivo. Minha mãe me acalmava dizendo para eu fazer a conta somente no final com todos os contratos fechados, se não eu jamais casaria... Então eu me acalmei e ouvi sua sabedoria.
Primeiro e único conflito: religião. No casamento islâmico é assinado um contrato nupcial entre as famílias onde o imã faz o enlace matrimonial. Acredito muito em Deus e pra mim era essencial uma benção, não aceitava um casamento ecumênico e ele, por ser filho de pai muçulmano, queria a presença árabe na cerimônia. Então chegamos ao acordo da cerimônia ser católica ortodoxa, rezada em português e em árabe para agradar a todos.
Daí por diante foram feitos todos os gostos.
COMO CASAR DA TRABALHO!!!
Cada dia uma moda nova. Num dia o noivo inventava uma coisa, e, no outro dia, a noiva inventava também e assim sucessivamente. Ah! E no intervalo, minha mãe inventava também!
Minha mãe trabalhou no mundo da moda durante muitos anos, e o meu sonho era que ela fizesse o vestido, porém, como havia muitos anos que ela não costurava, ela se negava fazê-lo. Eu achava aquilo um absurdo, pois ela já havia feito diversos vestidos de noiva para as amigas, irmã, primas... E então ela me convenceu a fazer o vestido numa loja super renomada. Após assinar o contrato apareceram algumas dúvidas e então discuti com a gerente da loja. Adivinhe o que aconteceu? Contrato rescindido e perda de confiança total em qualquer outra loja do seguimento. Conclusão: a primeira parte do meu sonho estava realizada. Minha mãe fez meu vestido de princesa, todo em seda pura natural e com todas as rosas feitas à mão a que eu tinha direito. Do jeitinho que eu imaginava! LINDO!
Buffet, bolo de verdade, noivinhos, doces, lembrancinhas, banda ao vivo, coral, ternos dos padrinhos, foto e vídeo, iluminação, decoração, bem-casados, bebidas, valet, convites, dia da noiva... Tudo isso e mais e mais detalhes. Quantos detalhes!!!
O casamento tinha que ter algo que mostrasse a nossa história. Tinha que ter algo que o noivo exigisse e que a noiva quisesse. Algo que a família pedisse e algo que os convidados já esperassem. O casamento tinha que agradar a todos e fazer a vontade de todo mundo, além de ter a nossa cara. E assim foi. Com muita informação, muitos momentos e muitos detalhes!
As fitas douradas e pérolas multiplicadas em bem-casados, convites, portas-guardanapo e lembrancinhas, assim como os monogramos dos noivos, tornaram-se a marca registrada da festa. O bolo de quatro andares, com flores e arabescos creme perolado da cor do convite, recheado de ganash disputando com trufa de amêndoas brancas e pedaços de damasco na mesma fatia foram a melhor tradução da harmonia do casal, lastreada por heranças árabes e brasileiras.
Quanto atrito fértil nesse evento. Uma festa digna de justificar o Povo Brasileiro de Darcy Ribeiro, onde se mesclou o Oriente com um bom samba de raiz.
Fico imaginando como seria o briefing de meu casamento se eu tivesse feito um:
- Casamento tradicional e sem cores tradicionais
- No campo num domingo à tarde
- Cerimônia Católica Ortodoxa
- Música exclusivamente ao vivo para a cerimônia e festa.
- Banda árabe para entrada dos noivos no salão principal, com um ritual musical árabe chamado Zaffa. Logo em seguida, o noivo declama uma poesia em árabe (na verdade, ele queria cantar, mas não pode, pois não tem melodia e nem afinação).
- Show cover Elvis Presley para animar a festa
- Samba de roda para os arrozes de festa.
- Dança dos noivos para abertura da pista. Dançamos a coreografia de Hassapiko, a dança que Anthony Quinn executou no filme “Zorba, o Grego”, ao som de “Nunca aos Domingos” tocada ao vivo.
Será que eu casaria se soubesse o quanto eu gastaria? Será que vale a pena poupar para realizar um sonho completo ou apenas uma parte de seu sonho?
Temos que sonhar de acordo com a nossa realidade.
O importante é ter nosso sonho realizado! “.
“Eu ergo um brinde a todos os profissionais que atuam com casamento. Não é fácil tornar concreto um sonho de menina”.
Mi e Ziyad desejo toda felicidade do mundo para vcs.... pq a historia de vcs é linda e única.
Uma ótima semana e um grande beijo a todos.
“Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido”.
Vinícius de Moraes